Porque os Covenanters não votam – Rev. Thomas H. Acheson

I. Explicação

 

Estamos no meio de uma grande luta política nacional. Este é um momento significativo. A questão repousa sobre aquilo que o eleitor individual fará, e as pessoas têm todo o direito de vir até nós, Covenanters, e questionar: “Por que vocês não votam? Se este é um país livre e governado pelo povo, e se há questões importantes para se lidar, por que você não se apega a elas e ajuda a resolvê-las? É por falta de patriotismo ou por indiferença? Não se tornaria uma anarquia se todos os outros fizessem como você faz? Quais são as tuas razões?”.
Tais questões são objetivas e, embora não façam uma grande diferença quanto a quem será eleito, não obstante, são importantes. Aqueles que votam devem ter uma boa razão para dar pela forma como farão, e aqueles de nós que não votam deveriam, da mesma forma, ter uma razão muito boa para não ir às urnas.
Agora, com o propósito de responder tais questões, prossigamos, em primeiro lugar, por meio de eliminação. Deixe-nos esclarecer o fundamento de qualquer possível má concepção que possa existir na mente de alguém. Consideremos aqui certas motivos propostos que não são razões para a nossa abstenção do voto.

Não é por indiferença que permanecemos distantes das urnas; nem porque não nos importamos com certas questões, ou certas partes, ou certos homens. Nós lemos os jornais e falamos sobre esses assuntos. Temos nossas preferências. Também oramos por nosso país, contribuímos para o trabalho de reforma, e nos movemos em favor de um governo melhor. Nós somos profundamente interessados.

Não é por que não amamos o nosso país. Eu desafio a um cidadão comum a mostrar mais patriotismo do que mostram os Covenanters comuns. Na Guerra Civil, muitos de nosso povo lutaram ao lado do norte para a derrubada da escravidão e a preservação da União. Nem uma única vez demonstrou-se a respeito de algum Covenanter que tenha lutado ao lado do Sul. As estrelas e listras são caras para nós. Este é o nosso país. Nós somos patriotas. Muitos de nossos jovens serviram lealmente na Guerra Mundial.

Nós não permanecemos distantes das urnas porque pensamos que os cristãos não deveriam se engajar na política. Não cremos que a política seja pecaminosa em si mesma, nem que ela pertença ao diabo ou que os homens cristãos devam sempre estar distantes dela. O que acreditamos é que a política, sob certas condições, é pecaminosa. Por outro lado, estou certo de que o nosso povo crê, até mesmo mais do comumente os cristãos creem, que é um dever sagrado do homem, em uma forma de governo democrática, ir às urnas e votar, caso não haja alguma condição imoral presente. Se não fosse pecado votar, ou não votar, e se as condições fossem aquelas que pudéssemos aprovar, estou certo de que vocês perceberiam que a porcentagem de ausentes dentre o nosso povo seria consideravelmente menor do que dentre o povo em geral.
Não é porque nos opomos à presente forma de governo, a democrática, a forma republicana, um governo por meio do povo. Acreditamos que a república é a melhor forma de governo.

Nem é por negarmos a este governo autoridade legítima. Acreditamos que este governos está deficiente, mas não dizemos que nele não há autoridade. Um filho não tem o direito de desobedecer seus pais porque um ou ambos não são cristãos. Obedecemos às leis do nosso país, não porque somos obrigados, mas porque devemos. Reconhecemos que o governo tem, em certa medida ao menos, autoridade própria sobre nós.
Nem nos manteremos distantes das urnas porque nos opomos ao caráter das leis desse governo. Algumas delas são erradas, com certeza, mas muitas, talvez a maioria delas, estejam certas.
Mas agora, prossigamos para a consideração das razões pelas quais, no dia da eleição, muitos de nossos cidadãos irão às urnas e o Covenanter permanecerá distante dela; e, a medida que nos empenhamos para explicar a nossa posição, será o nosso objetivo fornecer, não somente aquilo que parece bíblico e lógico aquele que vos fala, mas aquilo que descreverá, mais ou menos detalhadamente, a presente atitude da Igreja Covenanter e a sua posição histórica neste assunto. Notemos aqui algumas verdades simples:

Todo homem Cristão deve tomar a lei de Cristo com ele em cada esfera de ação.

Cristo é o rei em todas as esferas da sua vida, não somente do seu coração e da sua igreja, do seu escritório e da sua casa, mas da sua vida social e política. Cristo comprou o homem inteiro e a vida relacional do homem deve estar debaixo do controle de Cristo. Onde quer que formos, o que quer que façamos e em qualquer relação que estivermos, ainda pertencemos a Jesus Cristo. Nós nos entregamos a Ele totalmente. Nós dizemos: “Onde Ele me guiar, eu O seguirei, e onde Ele não me levar, não irei”.
Portanto, um homem não pode, consistentemente, ser um cristão em seu próprio quarto e um pagão atrás do balcão. Ele não pode ser um cristão nas reuniões de oração e um mundano na mesa de cartas. Ele não pode ser um cristão no banco da igreja e um pagão na urnas. Se John Smith, o pai, ora pelas bênçãos na refeição, e se John Smith, o carpinteiro, coloca madeira podre em uma construção, John Smith, o homem, é responsável por ambos. Se John Smith conduz o culto doméstico em casa, e na loja coloca areia no açúcar, John Smith, o homem, é responsável por ambos.

Este é um governo representativo.

Se fosse uma monarquia absoluta, cada responsabilidade humana, exceto em um sentido amplo, seria pequena. Se fosse uma monarquia limitada, a responsabilidade de cada cidadão seria maior, porém, menor do que agora é. A nossa forma de governo é republicana, uma democracia, e, portanto, o povo governa, ou assim deveria fazer.
É claro que há muito [poder na mão de alguns] e muito governo partidário no tempo presente. Somos algo mais próximo de uma oligarquia, muitas vezes, e não pura democracia. Ainda assim, teoricamente, e mais ou menos na prática, o povo governa, e, portanto, a responsabilidade repousa sobre o povo, sobre o eleitor. Este é o segundo passo de nossa explicação.

O padrão autoritativo no nosso governo é a constituição.

Nosso governo é constitucional. A constituição é a lei suprema, a base do governo. Tenha isto em mente como mais um passo para nosso argumento.
Observe, o padrão não é suas próprias regras de conduta, ou o seu próprio desejo. O padrão de governo não é o sentimento moral que prevalece entre o povo e que se expressa tão plenamente em nossas leis e costumes; nem o é as muitas instituições cristãs em nossa nação; e nem mesmo o grande corpo de nossas leis pode ser designado como nosso padrão de governo.
A base do nosso governo não são as plataformas políticas; pois quem quer que seja eleito não fará o juramento do cargo à sua plataforma, mas à constituição do país.
Temos uma lei fundamental escrita. E ela é a base de nossa legislação e ação governamental. Não dizemos que outras coisas tem poder de interpretação sobre a constituição, mas que ela, acima de tudo, é a regra de ação.
Agora, observe, claramente, que cada eleitor deve subscrever a esse documento. Este é um governo representativo e cada oficial deverá subscrever a esta lei fundamental antes de assumir sua posição oficial. Ao tomar o juramento à constituição, ele age por você e por mim, assim como por si mesmo.

A lei fundamental de uma nação deve conter provisões tais que honre o Rei das nações e também forneça uma base para um assentamento de questões civis morais.

Este é o próximo passo de nossa explicação. Ela deve honrar a Jesus Cristo. Se Deus deu ao Mediador toda autoridade no céu e na terra, se Jesus é o rei justo sobre todos os homens e todas as instituições; se Jesus é o Rei dos reis e se uma constituição é a profissão de fé de uma nação; se esta última é um poderoso objeto de instrução mantido constantemente diante do povo; se ela é a maior fonte da legislação; portanto, ela deveria, distintamente, reconhecer a autoridade do Senhor Jesus Cristo. “Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou”. Nós não podemos, apropriadamente, exercer autoridade debaixo de Cristo sem reconhecer claramente a fonte desta autoridade.
Além do mais, a constituição existe para o estabelecimento das questões morais, assim como das questões econômicas, não somente para o ajuste de coisas como receita pública, impostos, tarifas, finanças, etc. Então, como ficam questões como temperança, ou divórcio, ou o Dia de Sabbath [isto é, o Domingo, o Dia de Descanso]? Claramente deveria haver em nosso escrito de lei fundamental uma base para o estabelecimento de tais questões proeminentes.

Agora, a partir deste ponto de vista, examinemos a nossa constituição. Pegue ela e leia. Encontramos nela um documento interessante, capaz e notável.
Certamente nós devemos encontrar nesta carta magna de nossa liberdade algum reconhecimento devoto à autoridade divina! Certamente, em vista da bondade providencial de Deus no descobrimento da América, e de tais eventos como a chegada dos peregrinos e seu pacto solene na cabana de Mayflower – “No nome de Deus, Amém” – certamente, em vista da afirmação da Declaração de Independência sobre “uma firme confiança na proteção da divina providência”, e em vista do fato de que doze das treze constituições de estado originais contém reconhecimentos explícitos de Deus e do cristianismo, nós devemos encontrar algum reconhecimento devoto a Deus nesse notável documento!
Nós viramos as páginas da constituição a procura de algum reconhecimento a Deus. Viramos as páginas cuidadosamente, porém, não encontramos qualquer menção a Ele.
Olhamos novamente para ver se Jesus Cristo, o rei dos homens e nações, era reconhecido, e, novamente, não achamos referência a Ele, exceto na data; o que pode não ter significado moral algum.
Olhamos, ainda mais uma vez, em busca de alguma referência à Palavra de Deus como uma fonte de jurisprudência e guia no que tange à legislação, mas nada encontramos.
Agora, qual é a nossa base nacional para o estabelecimento da questão da temperança, do Sabbath ou do divórcio? Dizemos que estas são questões de Estado ao invés de nacionais? Pelo contrário, elas, certamente, são questões nacionais e algo deve ser feito para que haja tais matérias em nossa constituição nacional. E há muitas outras questões morais em no que diz respeito a questões nacionais.
Examinemos ainda mais fundo a constituição. Chegamos, então, ao juramento prescrito ao Presidente. Ele diz: “Eu juro (ou afirmo), solenemente, que fielmente executarei”, etc. Nenhuma referência é feita aqui à autoridade de Deus. Compare este juramento com aquele tomado por John Haynes quando inaugurou o Governo de Connecticut em 1639 – “Eu juro, pelo grande e temível nome do eterno Deus vivente, para prometer”, etc., “portanto, ajude-me Deus, em nome do Senhor Jesus Cristo”. Um oficial que tomasse um juramento como aquele sentiria que este momento significa alguma coisa. Compare, agora, o juramento do Presidente com a determinação bíblica: “Ao Senhor teu Deus temerás; a ele servirás, e a ele te chegarás, e pelo seu nome jurarás” [Dt 10.20]. Um juramento não é um juramento se o apelo a Deus é deixado de fora.
A medida que examinamos mais a fundo a constituição, observamos que ela afirma que “nenhuma avaliação religiosa jamais deverá ser exigida” como uma qualificação para o cargo. Observe que ela não fala de alguma avaliação “sectária” ou “denominacional”. Tal provisão poderia ser, naturalmente, apropriada. É claro que é possível que alguns dos membros da Convenção Constitucional pretendiam que tal interpretação fosse dada acerca desta sentença, mas a omissão do nome divino do juramento presidencial e a afirmação de que nenhuma avaliação religiosa fosse exigida ao cargo estão presentes para serem harmonizados; e deve também ser distintamente observado que ter apresentado um juramento com um apelo a Deus se constituiria uma avaliação religiosa. Jamais deverá haver qualquer avaliação denominacional, mas deveria haver uma avaliação moral e religiosa. O caráter não conta para nada? Deveríamos procurar “homens capazes, tementes a Deus”.
É bom lembrar também que a Convenção Constitucional começou sua sessão sem oração, a despeito de Benjamin Franklin ter proposto que eles deveriam pedir a orientação de Deus em seus deveres. Foi registrado que a oração foi oferecida, mas a evidência histórica leva à conclusão oposta.
Novamente, deve ser lembrado que no primeiro congresso que fora convocado sob a nova constituição jurou-se com um apelo a Deus, mas o primeiro ato que este congresso aprovou foi o de deixar um juramento como este de fora.

Chegamos agora à aplicação de tudo isto a nossa vida política. Mantenhamos cuidadosamente em mente aquilo que já fora dito. Você está se aproximando da urna. Este é um ato solene. Não deveria você, enquanto eleitor cristão, pensar algo do tipo: “Eu sou um homem cristão e devo levar Cristo comigo onde quer que eu vá. Este é um governo representativo. O homem em quem voto, se eleito, tomará o juramento do cargo por mim, mas a lei fundamental que deve o conduzir, e a mim, não reconhece a autoridade de Deus, nem Sua lei. O nome de Deus é, até mesmo, deixado de fora do juramento do Presidente. Meu depositar desta cédula [de voto] é uma aprovação de minha parte para que se continue o governo com sua base secular. Estou, então, disposto a fazer isto?”. E o Covenanter diz: “Não!”.

 

II. Objeções consideradas

 

Há muitas objeções à posição Covenanter de não votar. E elas não são tão estranhas quanto parecem ser. Algumas delas são dignas de consideração. Se isto não fosse verdade, todos os cristãos consistentes e com mentes esclarecidas estariam do nosso lado. Escutemos, portanto, com cuidado e paciência a consideração de algumas objeções que têm sido feitas à posição Covenanter a respeito do voto, ou aquilo que poderia ser trazido contra ela.

1. “Deve haver governo civil. A sociedade não pode viver sem ele. Não podemos esperar que seja perfeito. Todo homem deve certos deveres à sociedade em que se encontra. Ele não pode evitar esta responsabilidade. Não deveríamos nós sustentar e ajudar o governo da melhor forma que pudermos? Não somos responsáveis pelos defeitos nele.”
No geral, eu acho que este é o argumento mais forte que pode ser apresentado contra nossa posição. Porém, lembremos-nos de que nada necessita existir sobre uma base errada; que não estamos absolvidos por cometer um erro porque nos parece ser isto necessário. Pois, a família é necessária e o casamento é um dever sob condição natural, [contudo], um homem não teria justificativa para se casar em condições erradas. Ele não teria justificativa para se casar com a esposa de seu próximo.
Reconhecemos que há certos deveres na vida civil que todo homem está debaixo do dever de executar. Possivelmente, ele não pode evitá-los, mas é um dos seus deveres principais o recusar a identificar-se com qualquer coisa que seja má em assuntos civis. Ele deve isto ao seu país, assim como a Deus. Este é o verdadeiro patriotismo.

2. “Bem, você não pode misturar religião e política. É como tentar misturar óleo e água, ou fogo e água, ou colocar areia em açúcar. Eles não vão bem juntos. Isto foi tentado no Mundo Antigo com resultados desastrosos. O resultado disto foi a perseguição. Estes devem manter-se separados.”
Os Covenanters não desejam união entre igreja e estado. Porém, tal união não é a mesma que a união entre a religião e o estado. Quando igreja e estado estão unidos, duas organizações se apresentam juntas e, ou a igreja controla o estado, ou o estado controla a igreja. Quando um homem está casado com uma mulher, duas pessoas estão unidas. Porém, quando um homem está casado com uma ideia, a união não é do mesmo tipo. O princípio cristão na nação é o que desejamos.
Nós devemos misturar religião e política. Poderíamos também falar de não misturar religião e negócios, ou religião e vida social, ou religião e o lar. Assassinos não desejam que sejamos tão firmes em edificar o nosso Capitólio em Harrisburg, e que se misturem os dez mandamento em sua política. Mas se não misturarmos religião e política, nós simplesmente entregaremos a política ao diabo.

3. “Há tanto cristianismo em nosso governo que não conseguimos entender por que vocês, Covenanters, se sentem na obrigação de manterem-se indiferentes. Vocês parecem esquecer quanto cristianismo há em nossa vida nacional. Lembrem-se de Mayflower, dos nossos primeiros documentos coloniais; da Declaração de Independência; do reconhecimento da autoridade divina em quase todas as treze constituições de Estado originais; da inscrição em nossas moedas, “Em Deus Confiamos”; dos capelães no exército, na marinha e no congresso; do juramento nas cortes de justiça; da Bíblia em tantas de nossas escolas públicas; dos dias de Ação de Graças designados pelo Presidente e Governador do Estado; da resolução adotada pelo Senado dos Estados Unidos em 1863; e das afirmações mais recentes de nossa Suprema Corte de que somos uma nação cristã. Por que vocês, amigos Covenanters, parecem esquecer de que o nosso governo é simplesmente fortalecido e permeado pelos princípios do cristianismo?”
Sim, e podemos contrabalancear isto em grande medida, recordando do fato de que a Convenção Constitucional se recusou a pedir a direção de Deus em sua mais importante obra, e que, em 1797, em um tratado com o Tripoli, dissemos: “O governo dos Estados Unidos da América não é, em qualquer sentido, fundamentado na religião cristã”. Também deveríamos lembrar do serviço dos correios no Sabbath conduzido pelo governo, e dos vinte e cinco fundamentos legais diferentes para o divórcio que são encontrados em nosso país, assim como milhares outras falhas claras da parte do governo em harmonizar-se com a lei de Deus.
Contudo, o que nós queremos dizer aqui em resposta a esta objeção é isto: que estas características cristãs, pelas quais nós somos profundamente gratos, não é a base do governo, nem o crivo de cidadania, a sua base é a constituição. Esta é a fundação e sobre Cristo ela está em silêncio.

4. “A falta de referência a Deus na lei fundamental é somente um assunto de pequena importância. É somente o nome de Deus na constituição. Não brinca comigo. Não há nada perfeito aqui de qualquer maneira. Não se ausente do governo por mera tecnicidade. Você não faria qualquer obra cristã caso esperasse que todas as condições estivessem perfeitamente satisfatórias.”
Respondemos ao dizer que o erro em nossa vida governamental não é pequeno, nem técnico, nem indiferente, mas é fundamental, é vital. Você quer dizer, irmão cristão, por um momento, que a omissão de Deus da constituição e de Cristo, e da referência à sua lei, e a remoção do nome de Deus do juramento presidencial, são assuntos pequenos? Respondemos que tais omissões são assuntos tremendos, profundos e vastos.
Observe que a nossa objeção não se direciona a erros de administração. O governador de um estado pode falhar em trazer os arruaceiros à justiça. O prefeito de nossa cidade pode falhar em fechar as casas desordeiras. Mas nós não nos afastando do governo por falhas como estas, e nem é a objeção Covenanter meramente à má legislação. Nós contestamos os vinte e cinco fundamentos do divórcio. Contudo, tais objeções, caso a constituição estivesse correta, não seriam suficientes para nos impedir de participar do governo.

5. “Vocês, Covenanters, pagam impostos, e vocês os pagam por causa da consciência. Assim, vocês reconhecem o governo ao dar-lhe suporte. Isto não faz de vocês responsáveis por isso?”
Sem dúvida, nós pagamos os impostos como foi afirmado, não por que somos obrigado, mas por que devemos. Somos protegidos pelo governo e ao usufruirmos desta proteção e de nossa liberdade, sentimos que devemos render-lhe um equivalente apropriado. Lembre-se, nós não negamos alguma autoridade a este governo. Acreditamos que devemos obedecer as leis apropriadas. Observa-se aqui, contudo, que um pagador de impostos não é necessariamente um membro da firma do governo. O estrangeiro, o menor de idade e até mesmo os não-residentes, todos pagam impostos: e o nosso pagamento de impostos não nos faz membros da sociedade governamental.

6. “Mas aqui estão exemplos bíblicos para vocês, Covenanters. José esteve na terra do Egito e ele foi um homem de bom caráter. Ele era primeiro ministro de Faraó. Neemias ocupou um cargo sob o Rei da Pérsia; e Sadraque, Mesaque e Abednego, e também Daniel, que ocupavam cargos na Babilônia. Se estes homens ocuparam cargos públicos sob esses governos pagãos, certamente vocês, Covenanter, devem ser imaculados, se não puderem assumir um cargo sob um governo tão bom como o dos Estados Unidos.”
Contudo, note, caro amigo eleitor, que estes não governos constitucionais, nem governos representativos. Eles não foram realizados por votação da parte do povo. Não se pediu a estes funcionários que jurassem solenemente apoiar uma constituição escrita do governo que não contivesse o reconhecimento da autoridade de Deus. Não há razão para assumir que, no cumprimento de seus deveres oficiais, eles foram chamados a assumir qualquer posição como esta. Não temos qualquer evidência de que Sadraque, Mesaque e Abednego, que enfrentaram a chama ardente da fornalha por não adorarem a imagem de ouro, teriam aceito em juramento uma lei fundamental que não contivesse reconhecimento algum da autoridade do Senhor do céu.

7. “Mas a Constituição tem uma provisão para sua própria emenda. Você não jura sustentá-la como exatamente é. Ninguém afirma que é perfeita e vocês podem aceitá-la, pretendendo, em todo o tempo, assegurar, o mais rápido possível, mudanças que acreditam ser necessárias.”
Sim, é uma coisa boa que a constituição tenha tal provisão. Ela não é perfeita. Ela já teve vinte e uma emendas e precisará, sem dúvida, de mais. Porém, deve-se ter claramente em mente que o oficial e o eleitor a aceitam como ela é, não como eles esperam que seja, nem como a pretendem tornar. Você não está liberto das suas presentes condições porque intenta mudá-las assim que puder. Tenhamos em mente que o candidato eleito jurará dar suporte, não a sua própria convicção, nem mesmo a sua plataforma de partido, mas a constituição.

8. “Bem, então vocês, Covenanters, não deveriam viver nesse país. Se vocês não podem ajudar a conduzir o governo em sua presente base, vocês deveriam ir para algum outro lugar e deixar este país para aqueles que sentem liberdade para cuidar do governo.”
Isto é uma frivolidade, uma frivolidade sem lógica, e podemos dizer que não é cristão e nem fraternal ir até o homem que não pode ter participação no governo porque Deus não é reconhecido nele, e dizer a ele que deve sair do seu país e ir para outro lugar.

9. “Eu acredito que tal emenda na constituição, como é o desejo de vocês, Covenanters, seria uma violação dos direitos de outros que não concordam com vocês, tais como judeus, secularistas e infiéis. Vocês não têm o direito de forçar suas convicções sobre eles.”
Respondemos, primeiro, que uma nação tem direitos e deveres para com os seus. Eles são morais e da responsabilidade do Governador moral. Deveria uma nação, por causa das objeções de alguns, esquecer-se de sua própria obediência a Deus?
O Senhor Jesus Cristo tem direitos. É o propósito de Deus que todo joelho se dobre diante dEle e que toda língua O confesse. O dia está vindo em que todos os reis cairão diante dEle. Todas as nações devem servi-Lo. Ele comprou sua exaltação através da Sua morte na cruz e nós não temos o direito de negar a Ele a honra que Lhe é devida.

10. “Se todos os homens fizessem como vocês, a anarquia seria o resultado. Alguém deve cuidar do governo. Se todas as pessoas de bem fizessem como vocês, estes assuntos estariam em piores mãos.”
Percebem que esta objeção é também baseada na necessidade aparente – como se o fim justificasse os meios? Se é errado engajar-se a atividade governamental em nosso presente tempo, nenhum argumento justificará isso. Temos nós tanto medo de que a obra de Deus falhe a ponto de fazermos o que é errado para mantê-la longe da falha? Ainda assim, nós não temos receio de enfrentar este argumento. Devemos deixar as consequências com Deus. “Faça o certo ainda que os céus caiam”, mas sabemos que eles nunca cairão. Não é da nossa conta o cuidar da obra de Deus através do sacrifício da consciência.

“Eu estou feliz em acreditar
Que fazer este mundo dar certo não é minha obrigação;
Mas apenas descobrir e fazer com alegre coração
A obra que Deus determina. Eu nEle vou confiar
Que Ele pode sustentar a Si mesmo; e eu tomarei a Sua vontade,
Acima da obra que me enviou, para o meu principal bem.”

11. “Vocês, Covenanters, estão, simplesmente, desperdiçando seus votos. Vocês são cidadãos livres, ainda assim, não fazem questão de tomar parte nos grandes privilégios que este governo oferece a vocês.”
Há muitos outros que desperdiçam seus votos. Milhões de pessoas desperdiçam seus votos e apenas uma pequena parcela deles, aparentemente, por razões de consciência.
Nenhum homem que vota por um princípio correto desperdiça seu voto.

12. “Vocês, Covenanters, não estão fazendo coisa alguma. Vocês, simplesmente, cruzam os braços e sentam, ociosamente, enquanto outros cuidam do governo. Vocês deixam outros fazerem o trabalho todo e desfrutam de seus labores. A política de vocês é a de não fazer nada. Vocês são vagabundos na vida política.”
Não tememos, nem por um momento, enfrentar esse argumento, ou melhor, esta acusação. O que é mais evidente nele é que se consiste em uma mentira, uma tremenda falsidade. Nos esforcemos para considerar de quantas maneiras um homem pode servir o seu país. 1. Ele pode levar uma vida ordeira. 2. Ele pode ajudar no cumprimento da lei. 3. Ele pode pagar seus impostos. 4. Ele pode promover uma reforma moral. 5. Ele pode contribuir com seus recursos para tal reforma. 6. Ele pode orar. 7. Ele pode sacrificar tempo e força pelo seu país. 8. Ele pode lutar em sua defesa.
De acordo com essa análise, de quantas maneiras um homem pode servir o seu país? Oito! E o Covenanter serve em cada um destes aspectos. Ele leva uma vida ordeira? Não são muitos dentre nós que podem ser achados na prisão. Ele ajuda no cumprimento da lei. Ele paga seus impostos. Ele, continuamente, promove a reforma. Os Covenanters têm muitas vezes lutado em defesa de seu país, e, ainda assim, porque não votamos, dizem que nós não fazemos nada.
Há, neste país, qualquer outro grupo de pessoas que está fazendo mais para apresentar uma importante verdade na esfera política e para colocar a nossa nação em uma próspera e permanente base, além da Igreja Covenanter?
A posição de protesto é uma posição de poder. Lembrem-se de Elias, e de como ele falou a verdade para Acabe. Sadraque e seus amigos, na hora do perigo na Babilônia, não se sujeitaram esperando que toda aquela tempestade passasse por eles, mas disseram corajosamente: “Não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste”. Teriam eles agido de forma mais sábia e efetiva se rendendo para que, depois, em um momento mais tranquilo, se aproximassem do rei com sua mensagem? Pedro e os demais Apóstolos disseram: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens”. As batidas do martelo de Lutero, enquanto pregava suas noventa e cinco teses na porta da Igreja de Wittenberg, ainda se fazem ouvir no mundo. Os abolicionistas do passado não aceitaram a constituição do passado por acreditar que ela dava suporte a escravidão. Eles afirmaram que ela era uma aliança com a morte e um acordo com o inferno. Eles se recusaram a votar, e também a se filiar a qualquer partido político; e um líder proeminente de seus dias disse que eles fizeram mais para derrubar a escravidão do que todas as outras influências combinadas.
Uma grande dificuldade em relação a todo este assunto é que os homens falham muito em ter uma perspectiva cristã na política. Nós nos afastamos tanto da aprovação da união entre igreja e estado que nos aproximamos, em grande medida, de uma concepção de governo civil inteiramente mundana. Temos tanto medo de misturar religião e política que demos a política ao diabo. Nos tornamos tão sensíveis ao direito de consciência que nos esquecemos dos direitos de Cristo. Estamos tão preocupados com o direito da minoria que nos esquecemos dos direitos da maioria. Consideramos tanto as reivindicações dos judeus e dos secularistas que nos esquecemos dos direitos do cristão. Consideramos tanto os direitos do indivíduo de forma que desprezamos os direitos da nação. Em nossa preocupação pelos direitos do homem, nos esquecemos dos direitos de Deus.
O verdadeiro patriota é aquele que se recusa a identificar-se com qualquer mal na vida de seu país, e quando algum futuro historiador escrever a história dos Estados Unidos, ele traçará um fio de ouro de volta àqueles que, nestes dias, estavam dispostos, mesmo a preço de crítica e desprezo, a ficar fora do governo porque Jesus Cristo fora deixado de fora.


Trecho retirado do livro “Sobre o Voto – Uma análise bíblica, histórica e confessional sobre o sufrágio”.

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